Procura-se trabalho

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Está difícil conseguir trabalho. Não é impossível mas é difícil. Deve ser desesperador para as pessoas que acreditam em esperança.

Milhares, talvez milhões, de currículos são enviados todos os dias. Pessoas se candidatam a cargos para os quais não têm competência, torcendo para que um recrutador lembre de outra vaga para a qual o dono deste currículo serve.

No outro lado, o pessoal de RH não tem tempo de ler todos os currículos que recebe e seleciona alguns sabe-se lá como. As empresas diminuem os salários oferecidos “por causa da lei da oferta e da procura, sabe?”.

Algumas empresas ganham dinheiro com a crise. Catho, Vagas, Apinfo, Trampo. Merecem porque oferecem um serviço útil.

No meio desta situação, com quase 70 anos de idade, tenho de ser criativo e inventar formas de oferecer minha força de trabalho com eficiência e, quem sabe, eficácia.

Construí a página Benedito Carneiro no site da minha empresa onde escrevi cartas de apresentação profissionais (VBA e geral), o meu currículo e links para download do currículo em formatos DOCX e PDF.

Assim, posso avisar às pessoas que estou em busca de trabalho sem incomodá-las com arquivos de currículo anexados.

VBA é Visual Basic for Applications, a linguagem de programação do Microsoft Office para construir sistemas em Access, relatórios e macros em Excel, cartas em Word, apresentações em PowerPoint.

Pode-se resolver muitos problemas com VBA. Eu sei como se faz. Produzi 25 sistemas com VBA em Access, Excel, Word, bancos de dados Access, Oracle, SQL Server, MySQL, SQLite e FileMaker.

Ah, é bom lembrar. Não é preciso ter Access no computador onde o sistema com VBA em Access será executado. Basta instalar o software gratuito Microsoft Access Runtime e o computador ficará pronto para executar qualquer sistema em Access.

A solução do problema e o problema

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Se o enunciado do problema é conhecido e identificado, não é melhor concentrar-se nas soluções?

De que adianta reexaminar o problema, se o que interessa de fato é solucioná-lo?

Alguem que perdeu o emprego tem de reempregar-se e não rememorar o problema.

  • O texto do currículo é bem escrito, objetivo, conciso, lê-lo é entusiasmante?
  • A carta de apresentação é bem escrita, atrai a atenção do leitor?
  • Avisou aos amigos e conhecidos que está em busca de outro emprego?
  • Cadastrou-se em sites de empregos como a Catho, o Vagas, o Apinfo e o Trampos?
  • Quais são as faixas salariais praticadas para a sua função?
  • Que tal matricular-se em cursos online gratuitos para melhorar sua empregabilidade?

Uma pessoa tem rinite alérgica e as crises começam inesperadamente.

  • Que tal carregar a cartela dos comprimidos anti-alérgicos na carteira?
  • Se não tem os comprimidos à mão, tem uma farmácia perto para comprar o remédio?

Os cachorros do sítio fogem para o sítio vizinho e incomodam as pessoas que não gostam dos animais.

  • Prender os cachorros não é boa ideia porque eles tambem ajudam a proteger o espaço.
  • Aumentar a altura da cerca não é solução porque cachorros como crianças pequenas têm todo o tempo do mundo para inventar maneiras de burlar as proteções.
  • Talvez inclinar a ponta da cerca para dentro da área do sítio dificulte a escalada.
  • Que tal treinar os animais para não mais saltarem a cerca?

Miniconto

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Subiu, lentamente, a encosta do morro mais alto e olhou para o outro lado, não para o lado da cidade. Com um pouco mais de pressa, começou a descer a encosta do morro alto para longe de casa.

Os riscos de não pensar antes

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Em geral, as atitudes e palavras mais arriscadas envolvem relacionamentos com outras pessoas.

É muito fácil prejudicar os relacionamentos com as ações e as palavras, mais fácil ainda com as não pensadas antes de executadas.

As atitudes e palavras intempestivas têm dois riscos: provocar arrependimento tardio ou danos irreparáveis.

Pensar antes é mais fácil falar do que executar mas é uma habilidade que pode ser aprendida através de algum método.

Método que começa com a análise posterior das atitudes e ações.

De preferência, diariamente e sem distrações, escrever a lista dos acontecimentos do dia na ordem dos eventos.

Ao lado de cada item da lista, escrever o que foi certo, o que foi errado, o que era inevitável e o que era evitável.

Ora, tenha santa paciência!

A paciência é como um rio numa planície?
Ter paciência, ser paciente, é natural para muitas pessoas, mas não para todas. Parece mesmo que a impaciência é mais frequente que a paciência.

As pessoas naturalmente pacientes podem ser rotuladas de conformadas ou fracas para reagir o que, às vezes, é verdadeiro porque alguns que parecem pacientes são mesmo alienados e medrosos.

Entretanto, tem pessoas com comportamento paciente não apáticas e indiferentes que reagem depois de raciocinar. Por outro lado, se escolhem não reagir e deixar a vida seguir o curso normal, é porque valorizam algumas coisas mais que as outras.

Será que aprenderam, de alguma forma e em algum momento, a relativizar a importância dos fatos e eventos da vida?

É possível aprender a ser paciente? O que é a paciência? Um conhecimento obtido de leituras e estudos ou uma habilidade treinada?

Neste texto, escolhemos a habilidade, supondo que a paciência é uma habilidade a ser aprendida, treinada e aperfeiçoada.

Tambem supomos que o aprendiz interessa-se por aprender a tornar-se hábil em controlar algumas de suas reações e exercê-las com paciência, baseado em raciocínios mais do que no instinto imediato.

De nada serve pretender ensinar um aprendiz que não quer aprender.


Antes de começar, talvez seja prudente manter em segredo o seu interesse pelo método e o treinamento.

Evitará de ouvir os ditados espirituosos (“Pau que nasce torto, …”), as frases destruidoras de intenções (“Mais uma tentativa? Veremos se conseguirá, desta vez.”, “Você já não tentou mudar outras vezes?” etc), as expectativas e suspiros de ansiedade.


Primeira tarefa: é necessário concentrar-se no aprendizado, pensar e raciocinar mas, não pode deixar todo o trabalho para o cérebro e os pensamentos. Tem de escrever as ideias e conclusões para organizá-las, reescrevê-las, reorganizá-las e relê-las até decorá-las.

É melhor escrever no computador com ajuda um programa de texto. Um arquivo txt produzido no Bloco de Notas ou no Notepad++. Não escreva num programa de edição de textos como o Word para não gastar tempo com a formatação. O objetivo é obter um texto completo e útil, não necessariamente bonito.


Segunda tarefa: definir as pessoas importantes na sua vida para as quais você quer aprender a ser paciente.

Você quer preservar seu casamento, não só agora mas para sempre? Quer criar filhos saudáveis que sejam sempre seus amigos? Quer preservar o emprego que garante dinheiro para o seu sustento e da família? Quer aceitar as diferenças de comportamento entre as pessoas sem condenar os que não se comportam como você?

A lista não é igual para todos. Escreva a sua, escreva os nomes das pessoas, complete a lista com as razões pelas quais quer ser paciente com cada pessoa. Escreva, leia, reescreva, organize, releia. Decore a lista.


Terceira tarefa: o que ativa sua impaciência? Quais as situações, os problemas, os lugares, as pessoas, as horas do dia? Quando, com quem, em quais momentos do dia, em quais circunstâncias, você é impaciente? Ah, você é impaciente com tudo e com todos? Mesmo assim, não é um caso perdido. 🙂

Ei, esta lista será grande, não é mesmo? Então, não a escreva de uma única vez. Leve alguns dias para listar todas as suas pendências com a paciência.

Ponha no bolso uma caneta e uma folha de papel dobrada para anotar os itens à medida que acontecerem. Aumentará a abrangência da lista e aproveitará o benefício de ver as situações não como inserido nelas mas como se as olhasse de fora, como um observador externo isento.


Você está em treinamento. Tem de acreditar que mudar será bom e útil, que evitar o desnecessário e prejudicial fenômeno da impaciência será bom para si e para os seus.

Não basta acreditar e sentar no canto à espera das mudanças. Tem de agir do modo correto. Nenhuma ação implica em nenhuma mudança.

O método aqui proposto é uma sugestão, não é necessariamente o melhor nem o único. É uma maneira de ensejar a mudança que depende muito mais do treinando do que do método de treinamento.

O que pode ter como certo é que, sem escrever, as ideias e raciocínios se perdem na profusão de pensamentos propostos pelo cérebro, muitos pensamentos sem nada a ver com o objetivo e que desviam a concentração.

Tem de escrever, ler, reler, reescrever, até decorar o que escreveu.


Quarta tarefa: ao lado de cada item da lista, escreva a razão pela qual ele provoca sua impaciência.

Seja preciso e minucioso. Descreva a razão com as palavras necessárias e suficientes. Examine-a com o distanciamento de um analista crítico e isento.

Não economize tempo e palavras porque, ao tempo em que analisa e escreve as razões, tambem aprende a relativizá-las.

Defina a relevância e a importância de cada item na sua vida e, muito importante, quanto sua vida pode ser prejudicada toda vez que sua impaciência se manifesta naquela situação.


Quinta tarefa: você tem a lista de pessoas tão importantes na sua vida que quer beneficiar com um comportamento mais paciente e a lista das situações e pessoas e coisas que provocam sua impaciência.

Esta tarefa consiste de pensar, raciocinar e decidir para cada item da segunda lista o que pode e deve fazer, como deve agir, quais cuidados tomar, quais serão suas atitudes daqui por diante para que disparem sua paciência.

As ações têm de ser o que é possível fazer, o que você pode fazer, como é capaz ou pretende agir.


Sexta tarefa: se gostou do método, aplicou-o com bons resultados, volte sempre ao seu arquivo. Atualize-o, inclua novos itens, descreva as soluções encontradas, escreva seu progresso.

Até não mais precisar de método algum para agir com paciência.

O menino, a mãe do menino e a bicicleta

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Passaram aqui em frente, perto do fim da tarde.

O menino, entre dois e três anos de idade, e a mãe do menino. Ela pedalava a bicicleta.

Era uma bicicleta grande, das que tem o cano superior do quadro na horizontal onde ia sentado o menino. Meio de lado, olhava a mãe e o caminho, ora um, ora outro.

A mãe pedalava devagar, com cuidado e atenção para não derrubar o pequeno menino.

O menino cantava bem alto uma música que certamente só ele e a mãe conheciam.

Ouça até o fim

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Alguem começa a contar uma história, uma ideia, uma opinião e o que faz o ouvinte (quase sempre)?

Intromete-se na história, põe-se a falar das próprias ideias, contesta o que diz o contador.

Interrompe, corta a palavra e o raciocínio do contador.

Põe-se a contar sua própria história, sua versão da história, suas ideias e raciocínios.

A pessoa que começou o diálogo passa de contador a ouvinte porque não consegue terminar o que começou.

Foi interrompido, teve a palavra cassada, foi desmerecido.

É tão bom, faz tanto bem a ambos, quando o ouvinte ouve até o fim o que lhe diz o contador.

Ouve atentamente, de boca fechada, sem interromper.

Tem uma atitude de respeito, consideração e generosidade.

Luiza adormeceu

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Hoje, olhei Luiza adormecer.

Depois de alimentar-se, ela tentou continuar acordada, embora soubesse que tinha de segurar a mão do sono.

Um sono sorrateiro, suave, silencioso como é o sono, chegou de leve com pés de lã como disse Chico Buarque.

Chegou de mansinho e envolveu Luiza nos seus braços gentis e afetuosos. O sono de Luiza é gentil e afetuoso.

A respiração de Luiza ficou mais lenta, profunda e suave.

Os lindos olhos, que se fechavam devagarinho, abriram-se um pouquinho e ela não me viu. Olhava para o sono.

Eu a olhei quando começou a adormecer, continuei a olhá-la depois que adormeceu e fiquei algum tempo a olhá-la enquanto dormia.

Continuaria a olhá-la para vê-la durante todo o tempo do seu sono e ser a primeira coisa que ela visse ao acordar.

Mas, deve-se deixar em paz quem dorme.

Luiza tem 5 meses de idade.

Os cheiros da primavera

Bonita paisagem
O dia tem muitos ruídos. A noite tem muito menos ruídos que diminuem à medida que a noite avança.

A noite, em espaços abertos, tem os cheiros da noite.

Na primavera, à noite tem os cheiros de noite de primavera.

Em noites chuvosas tem os cheiros de terra, plantas e coisas molhadas.

Nas noites quentes tem os cheiros do vento morno e das plantas que adorariam receber a água fria da chuva.

Tem dias na primavera em que a temperatura cai para lembrar que o inverno passado voltará no ano seguinte. As noites, então, têm mais cheiro de inverno do que de primavera.

As madrugadas com o melhor cheiro são as de temperatura de primavera, sem chuva, sem calor, sem frio, com céu limpo de nuvens e a Lua em qualquer fase.

Se ficar atento, em algum momento ouvirá um sussurro da primavera:

Aqui estou. Aproveite-me, aspire profundamente o ar de minhas madrugadas.
Aproveite o cheiro do ar de primavera até 2h38 de 22 de dezembro de 2015.
Outra primavera me substituirá em 2016, às 12h21 de 22 de setembro.

Todos os sons do mundo

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Tem cientistas malucos do mal e cientistas malucos do bem.

Os do mal inventam máquinas para dominar o mundo ou derrotar os herois e são mais divertidos que os mocinhos.

Este cientista maluco (CM) era do bem. Estudava o som, propriedades do som, energia, captação, propagação e conservação.

Afirmava, em teoria, que os sons de conversas jamais se extinguem. Mesmo tendendo a zero, ainda poderiam ser captados e amplificados para reproduzir as conversas originais.

Da teoria à ação, construiu um aparelho maluco (AM) para capturar sons de conversas e, finalmente, conseguiu resultados.

Demonstrou-os com diálogos entre o mesmo casal que se repetiram, quase com as mesmas palavras, desde jovens até depois de mortos.

O homem começou o primeiro diálogo:
– Olá.
– Olá.
– Aceita dançar comigo?
– Sim.
– Está gostando do baile?
– Sim. Este é meu primeiro baile.
– Obrigado por aceitar o convite para dançar.
– Obrigado por me convidar a dançar com você.

No segundo diálogo, algum tempo depois:
– Olá.
– Olá.
– Eu te amo, desde o momento em que te convidei para dançar.
– Tambem te amo desde aquele momento.
– Vamos viver juntos nossas vidas?
– Sim.

O terceiro diálogo ocorreu muitos anos depois porque, embora as vozes mantivessem os timbres, eram de pessoas bem mais velhas:
– Olá, querida.
– Olá, querido.
– Tenho de ir, querida. Não consigo mais ficar, embora sinta muita tristeza por te abandonar.
– Sei que tem de ir, querido. Tambem sinto tristeza. Eu te seguirei brevemente. Espere-me.
– Adeus, minha querida e amada.
– Adeus, meu querido e amado.

O CM não contou como conseguiu o quarto diálogo. Suspeito que o inventou com outro dos seus AMs:
– Olá, querida. Você chegou!
– Olá, querido. Sim, cheguei, finalmente!
– Estamos juntos, novamente. Desta vez, será para sempre mesmo.
– Sim, será para sempre. Sabe se tem bailes por aqui?