As cascas das bananas

capa de livro de contos de Benedito CarneiroContam que começou com uma casca de banana nanica! Aconteceu na terça-feira. Por brincadeira, aquele que comia a banana nanica madura jogou a casca no outro que desviou-se, a casca saiu pela janela do 10º andar e caiu na calçada. O jogador de futebol ia para o carro para levá-lo ao aeroporto, escorregou na casca de banana, caiu e quebrou um dos braços. Os brincalhões do 10º andar não notaram o problema causado ao jogador e à seleção de futebol do país.

No domingo seguinte, a seleção de futebol jogou contra a do país vizinho. A guerra entre os dois países foi suspensa por causa do jogo. Sem o jogador principal, a seleção do país perdeu o jogo e começou um boato que ele fora ferido por agentes secretos do país vizinho. A trégua acabou com o reinício da guerra. Bombardearam os palácios de moradia dos presidentes de cada um dos países matando-os.

Pararam de novo a guerra para eleições. Um dos países elegeu uma mulher e o outro um homem, ambos solteiros. Os dois novos presidentes decidiram negociar a paz antes de reiniciar a guerra. Iniciaram as reuniões, primeiro com conselheiros e depois só os presidentes. Tinha boatos de todos os tipos em circulação, todavia não previram o anúncio do casamento da presidente com o presidente.

Acabou a guerra e teve festejos e a vida do casal iniciou. Fizeram construir uma casa na fronteira com metade da casa em cada país. A casa tinha tudo em dobro. O quarto e a cama do casal ficavam na fronteira com metade da cama em um país e a outra metade no outro. Quando brigavam, qualquer um dos dois ia dormir no sofá da sala do seu país.

O povo via curioso os dois presidentes tanto que os reelegeu. Cobraram dos respectivos legisladores leis para impor que os dois países poderiam ter novas eleições só se os eleitores exigissem. Senão o casal continuaria a governar para sempre.

Na paz as pessoas confraternizam com seus vizinhos. Começou com os habitantes da fronteira e foi para o interior. Os vendedores e habitantes de um país iam vender e comprar no outro, as cidades da fronteira cresciam para o outro lado e misturaram os idiomas. Teve mais amizades namoros e uniões. O povo pensava em um país e não em dois.

De repente uma notícia ruim. O casal de presidentes anunciou. A separação é inevitável. Opositores situacionistas e neutros foram às redes sociais e à imprensa pedir reconciliação. O povo foi às alamedas avenidas estradas montanhas praças rodovias ruas e vales. Diante de tantos pedidos, o casal reconciliou-se prometendo jamais se separar.

Esta é a história das bananas nanicas maduras contada para as bananas verdes. Estas duvidam, são novas e céticas. Não se pode acreditar ser a situação atual do país devida a uma triste casca de uma banana descascada. Ah, vá!

Benedito Carneiro

Escritor, físico, professor, locutor de rádio e analista de sistemas.

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