Como escrever e formatar diálogos

Os diálogos são importantes e úteis nos textos de ficção. A opinião dos autores de livros sobre a arte da escrita é que escrever bons diálogos é difícil e trabalhoso.
William Noble separa conversação e diálogo. Olá, Bom dia, Como está, é conversação, não diálogo.

É mesmo difícil saber a priori quanto nosso texto será atraente aos leitores. Da minha experiência, o escrito tem de ser, antes de tudo, bom para o autor. Se este considera bom o seu trabalho, talvez os leitores concordem com ele.

O autor, ao submeter à leitura crítica de outras pessoas o trabalho não terminado, arrisca-se a receber uma avalanche de sugestões. É melhor reescrever e reexaminar o texto até, quem sabe, considerá-lo perfeito. Depois, pode enviá-lo aos leitores de testes, se os tiver.

A formatação dos diálogos tem regras diferentes para livros editados no Brasil ou nos EUA ou na Inglaterra.

Sobre o assunto, tem este ótimo artigo Diálogos: como pontuar corretamente da escritora, crítica e coach literária Ronize Aline. Além das informações úteis e bem apresentadas, o artigo é um exemplo de texto bem escrito.

Sobre a formatação de diálogos nos EUA, tem este artigo How To Format Dialogue.

Sobre a escrita de diálogos, tem este artigo How To Write Engaging Dialogue e este livro “Shut Up! He Explained: A Writer’s Guide to the Uses and Misuses of Dialogue” de William Noble.

Edgar Allan Poe, no conto “A Conversa de Eiros e Charmion” formatou o diálogo de modo diferente e interessante. Como Eiros e Charmion falam desde poucas palavras até páginas inteiras, o diálogo entre aspas ou com travessão ficaria ruim de ler. Poe optou por:


EIROS
Por que me chamas de Eiros?
CHARMION
Assim, de agora em diante, sempre será o teu nome. Deves esquecer também o meu nome terreno e chamar-me de Charmion.
EIROS
Isto de fato não é sonho.
CHARMION
Sonhos não mais nos acompanham…


Benedito Carneiro

Escritor, físico, professor, locutor de rádio e analista de sistemas.

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