Ideias para cuidar do estilo

Esta é uma lista de sugestões para o estilo. Resultam de raciocínio, da leitura de textos sobre a arte da escrita ou recomendações. Algumas de Ernest Hemingway, José Saramago e Machado de Assis. Está incompleta e inacabada. Volta e meia, adiciono ou altero as sugestões.


Evite incertezas. Os acontecimentos e respectivas datas devem evoluir com a história.

  • Em vez de Numa noite, foi ao cinema, escreva Foi ao cinema na quarta-feira de economia do cinema do bairro.
  • Em vez de Teve um jogo de futebol, escreva Teve o jogo de futebol na quarta-feira, noite de futebol.

Troque, quando ficar melhor:

  • para a por à
  • para o por ao
  • para as por às
  • para os por aos
  • em um por num
  • em uma por numa
  • em uns por nuns
  • em umas por numas
  • alguma coisa por algo
  • uma ideia por a ideia
  • um plano por o plano

Note que num, numa, nuns e numas é como as pessoas falam. Talvez mais adequadas para os diálogos.


O diálogo deve mostrar e não contar. O diálogo serve para fazer a história avançar e desenvolver personagens. Para mostrar o lado ou os lados de um ou mais personagens. O personagem deve ser pintado pelo diálogo, não apenas descrito por ele.


Aumente a concisão das frases, não a da história.


Aumente as histórias com enredo, inícios, finais e descrições de situações, personagens e frases salientes.


Diálogos contribuem com a história ao exprimir os sentimentos e atitudes das pessoas que falam. Adicione às falas os sentimentos explícitos ou implícitos nas palavras faladas.


Divida os parágrafos compridos em parágrafos curtos. Comece em novas linhas os assuntos diferentes do mesmo parágrafo. Divida as frases longas em frases curtas.


Escreva em voz ativa, em vez de voz passiva. “João enviou a mensagem” em vez de “A mensagem foi enviada por João”. “O tom de voz dela me assustou” em vez de “Fui assustado pelo tom de voz dela”.


Escreva expressões positivas. Por exemplo: “guardar” ou “manter” em vez de “não perder”; “fique” em vez de “não vá”.


Escreva o texto para ser lido também em voz alta. Escreva para entreter os leitores, não para impressioná-los.


Evite advérbios terminados em mente (simplesmente, evidentemente etc.). Evite as frases, expressões e palavras muito usadas. Escreva sinônimos, invente expressões diferentes.


Evite explicitar o passar do tempo. Os fatos em sequência por si indicam ocorrência em tempos subsequentes.


Adicione partículas ou locuções de transição aos segmentos entre as frases. Ligue as frases seguintes às anteriores para ritmar o texto. Sem a transição, o texto fica com aparência de truncado.


Inicie a história com a promessa que conduzirá a algum ponto que vale o tempo de leitura.


Troque por outras ou reduza o uso das palavras: coisa, colocar, que, verdade. Troque “que” por “qual”, “quanta” ou “quanto”.


Troque as palavras compridas por sinônimos mais curtos.


Varie o uso das conjunções coordenativas adversativas (contudo, entretanto, mas, no entanto, porém, todavia).


O vocabulário é importante. Escolha palavras diferentes das usadas comumente nas mesmas situações. Verifique no dicionário se as palavras têm os significados corretos nas frases.


As comparações melhoram as informações do texto. Demais, incomodam. Um truque para evitar o excesso de comparações é escrevê-las sem explicitar. Por exemplo: “andar bêbado” em vez de “andar como o de um bêbado”.


A abertura de uma história é o segmento mais importante do trabalho.


Nos diálogos, ajuste à fala a colocação das vírgulas, que são pausas.


Benedito Carneiro

Escritor, físico, professor, locutor de rádio e analista de sistemas.

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